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DAS do MEI: o que é, quando pagar e o que acontece se atrasar

2026-08-14 · Meu Financeiro · 14 min de leitura
🧾Impostos

Imagine dois donos de mercadinho na mesma rua. Abriram o MEI no mesmo mês, vendem quase a mesma coisa e faturam parecido. A diferença aparece três anos depois: um consegue empréstimo quando precisa e dorme em paz; o outro descobre que perdeu o CNPJ, ficou sem direito ao auxílio quando adoeceu e agora carrega uma dívida com juros. O que separou os dois não foi venda nem sorte — foi uma guia de pouco mais de R$ 70 por mês: o DAS. Aqui você vai entender de uma vez o que é essa guia, quanto custa, como pagar e — o mais importante — o abismo entre pagar em dia e deixar acumular.

O que é o DAS, em português de balcão

DAS é a sigla de Documento de Arrecadação do Simples Nacional. Traduzindo: é a guia mensal única que todo MEI paga pra ficar em dia com o governo — um boleto só, de valor fixo e baixo, como a 'mensalidade' de ter um CNPJ formalizado.

A palavra-chave aqui é única. Antes do MEI, o autônomo recolhia imposto de um lado, INSS de outro, lidava com a prefeitura por outro. O DAS juntou tudo num pagamento só: você paga aquela guia e está quitado com o mês. Não precisa calcular imposto sobre cada venda nem somar nota por nota, e o valor é o mesmo faturando muito ou pouco. Não é 'mais um imposto pesando no bolso' — é o preço pequeno e fixo que mantém você formalizado, com CNPJ ativo e direitos garantidos. É provavelmente o imposto mais barato que existe pra quem tem um negócio.

O que está dentro dessa guia (você paga menos do que imagina)

Quando você olha o valor do DAS, parece só um boleto. Mas dentro dele estão coisas importantes. O DAS reúne, num pagamento só:

  • A sua contribuição pro INSS — a parte que garante aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e outros benefícios. É a fatia mais valiosa do DAS.
  • O ICMS — o imposto estadual sobre a circulação de mercadorias. Você paga essa parte se sua atividade é de comércio ou indústria (dono de loja, mercadinho, quem fabrica e vende).
  • O ISS — o imposto municipal sobre serviços. Você paga essa parte se sua atividade é de prestação de serviço (cabeleireiro, eletricista, manicure, quem conserta, quem atende).

E se você faz as duas coisas — uma oficina que conserta (serviço) e vende peças (comércio)? Aí você paga as duas parcelas, ICMS e ISS, dentro da mesma guia: continua um boleto só, com os dois valorzinhos somados. É por isso que o valor do DAS muda um pouco de pessoa pra pessoa. O importante é entender que a maior parte do que você paga volta pra você em forma de direito — não é dinheiro jogado fora, é a sua rede de proteção sendo construída mês a mês.

Quanto gira o DAS e por que o valor muda todo ano

O valor do DAS gira em torno de R$ 70 a R$ 80 por mês em 2025/2026, dependendo da sua atividade: comércio ou indústria (INSS + ICMS) fica na casa dos R$ 75; serviço (INSS + ISS) fica um pouco acima, perto de R$ 80; quem faz as duas coisas paga um real ou dois a mais. Mas por que esses números sobem todo ano? Porque a maior parte do DAS é a contribuição pro INSS, e ela é calculada como uma porcentagem (5%) do salário mínimo. Quando o salário mínimo aumenta no começo do ano — e ele quase sempre aumenta —, a sua parcela do INSS sobe junto, e o DAS acompanha. As parcelas de ICMS (R$ 1) e ISS (R$ 5) costumam ser fixas em reais; quem puxa o reajuste é o INSS atrelado ao mínimo.

Por isso, um aviso honesto: não decore um valor exato como se fosse verdade eterna. O número muda todo janeiro. Antes de fechar sua conta do ano, confira o valor atual no Portal do Empreendedor (gov.br) ou no aplicativo MEI. É lá que está o número oficial e atualizado. Qualquer valor que você vir por aí, incluindo os deste texto, é só pra você ter uma noção da ordem de grandeza.

Fazer o controle de quanto guardar todo mês pro DAS, somar com as outras despesas do negócio e ainda saber quanto sobrou de lucro dá um trabalho danado no caderno. É exatamente pra isso que existe um app simples no celular como o Meu Financeiro: ele separa o que é da empresa, reserva o dinheiro dos impostos e te mostra o lucro de verdade, sem planilha e sem jargão de contador. Criar minha conta grátis leva um minuto.

Como emitir o DAS todo mês (é você quem gera)

Uma coisa que confunde muito MEI iniciante: o boleto do DAS não chega sozinho na sua casa nem no e-mail. É você que gera a guia, todo mês. Parece complicado, mas é simples e dá pra fazer em dois lugares:

  1. Pelo aplicativo MEI — o app oficial do governo, de graça no celular. Você entra, ele já mostra as guias do ano, e gera a do mês com um toque. É o caminho mais rápido.
  2. Pelo Portal do Empreendedor (gov.br) — no computador, pelo sistema PGMEI. Você escolhe o ano, marca o mês, e o boleto aparece pra pagar ou copiar o código Pix.

Nos dois, você faz login com sua conta gov.br. Dá pra gerar a guia do mês atual, de meses em aberto e até adiantar os próximos, e o sistema já calcula o valor certo pra você — inclusive juros e multa, se estiver atrasado.

Vencimento dia 20 e as formas de pagar

Decore essa data: o DAS vence todo dia 20, sempre no mês seguinte ao de referência (o DAS de janeiro vence em 20 de fevereiro, e assim por diante). Se o dia 20 cair em fim de semana ou feriado, escorrega pro próximo dia útil.

Pra pagar, você tem três caminhos, e vale muito a pena escolher um que te livre do esquecimento:

  • Pix — a guia já vem com QR Code e código Pix. Abre o app do banco, escaneia ou cola o código, paga na hora. É o jeito mais rápido.
  • Boleto — a guia tem código de barras. Paga no app do banco, no caixa eletrônico ou na lotérica, como qualquer conta.
  • Débito automático — dá pra cadastrar o DAS em débito automático no seu banco. Aí todo mês o valor sai sozinho da conta, sem você precisar lembrar de gerar e pagar. Pra quem vive esquecendo, é a melhor opção que existe.

A dica de ouro: se você esquece conta, coloque o DAS no débito automático ou crie um lembrete fixo pra todo dia 15. Cinco dias de folga te salvam de pagar juros por bobeira.

Caminho A: o MEI que paga em dia

Agora chegamos no coração deste guia: os dois caminhos que todo MEI tem pela frente, lado a lado. Quem paga o DAS todo mês, no dia certo, colhe uma lista de garantias que muita gente nem percebe que tem — até precisar. Pagando em dia, você tem:

  • Aposentadoria contando ponto a ponto: cada DAS pago é um mês a mais na sua conta pra se aposentar por idade. Você está construindo sua aposentadoria mesmo sem sentir.
  • Auxílio-doença garantido: se você adoecer ou sofrer um acidente e não puder trabalhar, tem direito a receber um auxílio do INSS. Mas só se estiver com as contribuições em dia (respeitando o tempo mínimo de carência).
  • Salário-maternidade: a MEI que vai ter filho recebe durante a licença — de novo, só com o DAS em dia.
  • CNPJ ativo e limpo: você emite nota, comprova renda, abre conta PJ e pede crédito. CNPJ regular é porta aberta; irregular é porta trancada.
  • Paz de espírito: talvez o mais subestimado. Você não vive com o peso de saber que 'tem uma dívida crescendo em algum lugar'.

Por menos de R$ 3 por dia — o DAS dividido pelos dias do mês — você mantém toda essa proteção de pé. É um dos melhores negócios que um pequeno empreendedor pode fazer.

Caminho B: o MEI que deixa acumular

Do outro lado está quem 'deixa pra depois'. Começa inocente: um mês o caixa aperta, você pula o DAS achando que paga junto no mês seguinte. Só que aí tem outra conta, e o DAS vira bola de neve. Veja o que acontece, em ordem de gravidade:

  • Juros e multa: a partir do dia 21, a guia atrasada passa a acumular multa (que começa pequena e cresce) e juros mês a mês. Quanto mais tempo, maior a conta. O que era R$ 75 vira R$ 90, depois mais.
  • Buraco na aposentadoria: os meses não pagos não contam pro seu tempo de contribuição — é tempo que você perde e depois recupera de um jeito mais caro.
  • Perda dos benefícios na hora H: se você adoecer justo num período em que está devendo, pode não ter direito ao auxílio-doença. É o pior momento pra descobrir que a proteção não está lá.
  • Cancelamento do CNPJ: aqui está o risco mais sério. Ficar cerca de dois anos sem pagar o DAS e sem declarar pode levar o governo a cancelar o seu MEI. O CNPJ é baixado, e junto vai embora tudo que ele te dava.

Repare como o caminho B começa parecendo inofensivo — 'é só um mês' — e termina num lugar sério. Ninguém decide perder o CNPJ; a pessoa só vai deixando, deixando, e um dia a conta chega. A boa notícia é que quase nada disso é irreversível se você agir a tempo — o problema é só de quem descobre tarde demais.

Atrasou ou acumulou? Como regularizar (dá pra parcelar)

Se você está lendo isso e pensando 'opa, tenho DAS atrasado', respira: a solução existe e é mais simples do que parece. Veja o caminho:

  1. Descubra o tamanho da dívida: no app MEI ou no Portal do Empreendedor, veja quais meses estão em aberto. O sistema já mostra tudo e calcula os juros.
  2. Se for pouco, pague de uma vez: um ou dois meses atrasados, gere a guia com os juros já inclusos e pague por Pix ou boleto.
  3. Se for muito, parcele: com vários meses acumulados, dá pra parcelar os débitos pelo próprio sistema (Portal do Simples Nacional / e-CAC), em parcelas mensais que caibam no bolso.
  4. Volte a pagar o mês corrente em dia: regularizar o passado não adianta se o presente continuar acumulando. Coloque o DAS no débito automático.

Regularizar reativa seus direitos e mantém o CNPJ vivo. Pra atrasos pequenos, você mesmo resolve pelo celular; se a situação já estiver complicada (muitos anos parados, risco de cancelamento), vale sentar com um contador.

O segredo que ninguém conta: guarde o dinheiro do DAS todo mês

Por que tanto MEI atrasa o DAS se o valor é pequeno? Quase nunca é falta de dinheiro no mês — é falta de separar esse dinheiro na hora certa. Quando o DAS vence, o dinheiro que devia pagá-lo já foi embora em outra coisa.

A solução é um hábito simples: trate o DAS como um custo fixo do negócio, igual ao aluguel. A cada venda, separe um pouquinho numa reserva só pra impostos. Quando chega o dia 20, o dinheiro já está lá esperando e pagar vira automático. O mesmo raciocínio vale pra declaração anual do MEI (a DASN-SIMEI, feita uma vez por ano informando quanto você faturou) e pra qualquer outro custo. Negócio saudável separa o dinheiro antes de gastar, não depois.

A conta lado a lado: MEI organizado x MEI desorganizado

Vamos fechar a comparação com dois retratos, pra ficar cristalino o que está em jogo. Pense no João e no Pedro, os dois donos de barbearia, os dois MEI de serviço.

João, o organizado: separa uns R$ 3 por dia numa reservinha e deixou o DAS no débito automático. Faz a declaração anual em janeiro sem estresse. Em cinco anos, tem cinco anos limpos de contribuição, conseguiu um empréstimo pra reformar a barbearia mostrando o CNPJ regular, e quando torceu o pé e ficou duas semanas parado, recebeu o auxílio sem drama.

Pedro, o desorganizado: 'depois eu pago'. Pulou três meses no primeiro ano, mais quatro no segundo, e nunca declarou. Achou que estava tudo bem porque 'ninguém cobrou'. No terceiro ano, foi financiar uma cadeira nova e descobriu o CNPJ com pendências e quase cancelado, mais a dívida inflada de juros — e os anos parados não contam pra aposentadoria dele.

Os dois faturam igual. A única diferença foi o hábito de separar um pouco e pagar em dia: a diferença entre alguns reais por dia hoje e um problema grande amanhã. Essa é a escolha que o DAS coloca na sua frente todo mês.

Perguntas frequentes sobre o DAS

Preciso pagar o DAS mesmo se eu não vendi nada no mês?

Sim. O DAS é fixo e não depende do faturamento. Mesmo num mês parado, você paga — porque a maior parte dele é a contribuição pro INSS, que é o que mantém sua aposentadoria e seus direitos em dia. Se você passar muito tempo sem faturar e sem querer mais o MEI, aí o caminho é dar baixa, não parar de pagar.

Esqueci de pagar o mês passado. E agora?

Calma, não é grave se você resolver logo. Entre no app MEI, gere a guia do mês atrasado (o sistema já inclui a multa e os juros, que pra um mês são pequenos) e pague por Pix ou boleto. Quanto mais rápido, menor o acréscimo. E aproveite pra colocar no débito automático e não repetir.

O valor do DAS que vi na internet está diferente do meu. Por quê?

Duas razões. Primeira: o valor muda todo ano, então textos antigos mostram números defasados. Segunda: o valor depende da sua atividade — comércio, serviço ou os dois pagam parcelas diferentes. O número certo e atual do seu DAS é sempre o que aparece no app MEI ou no Portal do Empreendedor.

Posso perder minha aposentadoria por atrasar o DAS?

Os meses que você deixar de pagar não contam pro seu tempo de contribuição, então sim, atrasar prejudica a aposentadoria. Mas dá pra recuperar regularizando os meses em aberto (à vista ou parcelado). O perigo real é de quem acumula anos, nunca regulariza e ainda corre o risco de ter o CNPJ cancelado.

Quanto tempo sem pagar até o MEI ser cancelado?

Ficar por volta de dois anos sem pagar o DAS e sem fazer a declaração anual pode levar ao cancelamento do CNPJ, com perda dos benefícios. Mas você não precisa chegar nem perto disso: ao primeiro atraso, já vale regularizar. As regras podem mudar, então confirme sempre no Portal do Empreendedor.

Resumo prático

Levando no bolso: o DAS é a guia mensal única do MEI, que junta INSS + ICMS (comércio) ou ISS (serviço) num valor fixo e baixo, em torno de R$ 70 a R$ 80 em 2025/2026 — número que sobe todo ano por ser atrelado ao salário mínimo, então confira sempre o valor atual no Portal do Empreendedor. Você gera a guia pelo app MEI ou pelo Portal, ela vence todo dia 20, e paga por Pix, boleto ou débito automático. Pagar em dia garante aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e CNPJ limpo; deixar acumular traz juros, buraco na aposentadoria, perda de benefícios e, no limite, o cancelamento do CNPJ. Se atrasou, regularize — à vista se for pouco, parcelado se for muito — e, na dúvida, chame um contador.

O segredo de tudo é ridiculamente simples: separe o dinheiro do DAS todo mês, antes de gastar em outra coisa. Fazer essa reserva na mão, junto com o controle das vendas e das outras despesas, dá trabalho e é fácil esquecer — é pra isso que existe um app simples no celular como o Meu Financeiro, que separa o dinheiro dos impostos, organiza o caixa do seu negócio e te mostra o lucro de verdade sem você precisar entender de contabilidade. Comece de graça agora e nunca mais seja pego de surpresa pelo dia 20.

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