Como precificar um produto sem vender no prejuízo (guia simples)
- O erro que quase quebrou o Seu Ronaldo
- Por que o markup simples engana
- O jeito certo: pensar de trás pra frente
- O passo a passo pra fazer com seus produtos hoje
- Margem alta ou margem baixa: qual empurrar
- Refaça o preço quando o custo muda
- Cuidado com o preço do concorrente
- Perguntas frequentes
- Resumo prático
O Seu Ronaldo tinha a loja de material de construção mais movimentada do bairro. Todo mundo dizia que ele estava rico. A porta não parava: saco de cimento, cano, tinta, o dia inteiro. E mesmo assim, todo fim de mês, ele pegava dinheiro emprestado pra pagar o fornecedor. Um negócio cheio de gente que quase fechou as portas. Quando ele finalmente sentou pra entender o que estava acontecendo, descobriu uma coisa que assusta: ele estava vendendo vários produtos no prejuízo e nem sabia. Não porque vendia barato de propósito, mas porque botava o preço no olho, esquecendo de tudo que come o lucro por baixo do pano.
Se você bota preço "no feeling", esse texto pode ser o que salva o seu caixa. Vamos refazer, passo a passo, a conta que o Seu Ronaldo aprendeu tarde demais — pra você aprender cedo.
O erro que quase quebrou o Seu Ronaldo
O jeito dele era simples, e é o mesmo que quase todo mundo usa: pegar o custo e jogar um tanto por cento por cima. Comprava o produto por R$ 10 e vendia por R$ 13. "Ganhei 30%", ele pensava. Só que ele não ganhava 30% coisa nenhuma. Naquele R$ 3 de diferença ainda estavam escondidos vários custos que ele nunca tinha colocado na conta:
- A maquininha do cartão, que levava uns 3% de cada venda no débito e até 5% no crédito.
- O imposto do Simples, que comia mais uma fatia todo mês.
- O frete e a perda — mercadoria que quebrava, vencia ou sumia.
Quando você soma tudo isso, aquele R$ 3 de "lucro" virava R$ 1, às vezes virava zero, e em alguns produtos virava prejuízo. O Seu Ronaldo vendia muito e ganhava pouco. Movimento não é lucro — e esse é o susto que derruba tanta gente boa.
Por que o markup simples engana
O nome bonito daquela conta de "somar um tanto por cento em cima do custo" é markup. O problema não é o markup em si, é usar ele sem descontar o que sai. Quando você acrescenta 30% sobre o custo, você está pensando de dentro pra fora: parte do custo e chuta pra cima. Mas o lucro de verdade não se calcula assim, porque a taxa e o imposto não são cobrados sobre o custo — são cobrados sobre o preço de venda.
Traduzindo pro balcão: se você vende por R$ 13 e a maquininha cobra 3%, ela leva 3% de R$ 13, não de R$ 10. É pouca diferença num produto, mas multiplicada por centenas de vendas no mês, é ela que decide se sobra ou falta dinheiro pra repor o estoque.
O jeito certo: pensar de trás pra frente
A virada do Seu Ronaldo foi parar de perguntar "quanto eu ponho por cima?" e começar a perguntar "quanto eu quero que sobre no meu bolso?". É a mesma lógica de quem monta uma meta de venda do dia: você parte do resultado que quer e volta pro preço que garante ele.
A fórmula parece de escola, mas é de padeiro. Você soma tudo que sai em cima da venda (o lucro que quer + a taxa da maquininha + o imposto), transforma em porcentagem, e faz:
Preço de venda = custo dividido por (1 menos a soma das porcentagens que saem)
Vamos ao número real do Seu Ronaldo. Um produto que custava R$ 10. Ele queria 30% de lucro de verdade. A maquininha cobrava 3% e o imposto era 6%. Some o que sai: 30% + 3% + 6% = 39%, ou seja, 0,39. Agora: 1 menos 0,39 é 0,61. E o preço é R$ 10 dividido por 0,61, que dá R$ 16,39.
Repare no tamanho do erro. Ele vendia por R$ 13 achando que ganhava 30%. O preço que de verdade deixava 30% no bolso era R$ 16,39. A cada venda daquele item ele deixava mais de R$ 3 na mesa — ou pior, vendia no prejuízo sem enxergar.
O passo a passo pra fazer com seus produtos hoje
Não precisa ser economista. Pegue papel e caneta e faça assim pra cada produto principal:
- Anote o custo real. Não é só o que está na nota do fornecedor — some frete, e se o produto estraga ou some, jogue uma gordurinha por cima pra cobrir a perda.
- Defina o lucro que você quer naquele item, em porcentagem. Pode ser 20%, 30%, 50% — depende do tipo de produto e do seu mercado.
- Some a taxa da maquininha que você mais usa (pegue a do crédito, que é a maior, pra ficar no seguro).
- Some o imposto que incide sobre a venda (se você é MEI ou Simples, dá pra estimar sua fatia).
- Aplique a fórmula e compare com o preço que você cobra hoje. Prepare o coração.
O Seu Ronaldo fez isso numa tarde, com os 20 produtos que mais vendia. Descobriu que 6 deles estavam abaixo do custo real. Só de ajustar esses 6, o caixa dele mudou de figura em dois meses.
Fazer essa conta na mão pra cada item, toda vez que o fornecedor reajusta o preço, dá um trabalho danado. É exatamente pra isso que existe um app simples no celular como o Meu Financeiro: você põe o custo, o lucro que quer, a taxa e o imposto, e ele te devolve o preço certo na hora — sem você errar a divisão. Dá pra começar de graça.
Margem alta ou margem baixa: qual empurrar
Depois que você sabe a margem real de cada produto, aparece uma informação de ouro: dá pra decidir o que vale a pena empurrar. Produto de margem alta te dá fôlego — você bate a meta do dia vendendo menos peças. Produto de margem baixa só compensa no volume, quando sai muito.
Um erro comum é dar desconto justo no produto de margem apertada porque "ele vende bem". Vender bem um item que quase não deixa lucro é como correr numa esteira: cansa e não sai do lugar. Saber a margem de cada coisa te tira desse ciclo.
Refaça o preço quando o custo muda
O erro do Seu Ronaldo tinha um segundo capítulo: ele acertava o preço uma vez e esquecia dele por meses. Só que o fornecedor reajusta, a maquininha muda a taxa, o imposto varia — e o preço que era certo em janeiro fica defasado em maio. Sempre que o custo de um produto subir, refaça a conta. Não precisa ser toda semana, mas pelo menos a cada reajuste do fornecedor. Um aumento de 8% no custo que você não repassou é 8% de lucro que evaporou em silêncio, produto por produto, sem ninguém perceber. Preço não é uma decisão de uma vez só; é um acerto que acompanha o custo.
Cuidado com o preço do concorrente
"Mas o vizinho vende mais barato." Vende. E talvez o vizinho esteja no mesmo buraco que o Seu Ronaldo estava, vendendo no prejuízo sem saber. O preço do concorrente é uma referência do mercado, não a sua conta. Se a sua estrutura de custo exige um preço e o mercado não paga, o problema não é o seu preço — é ou o seu custo (negocie melhor com o fornecedor) ou o produto (talvez ele não seja pra você). Baixar preço pra empatar com quem está quebrando é entrar na fila pra quebrar junto.
Perguntas frequentes
Preciso fazer essa conta pra todo produto? O ideal é sim, mas comece pelos que mais vendem e pelos de maior custo — são eles que mais mexem no seu caixa. Os outros você ajusta com o tempo.
E o custo fixo (aluguel, luz, salário)? Não entra no preço? Entra, mas de outro jeito. O preço garante a margem de cada venda; os custos fixos você cobre pela meta de venda do dia. Uma coisa alimenta a outra.
Que porcentagem de lucro eu devo querer? Não existe número mágico. Depende do ramo e do giro. Produto que sai muito aceita margem menor; produto parado precisa de margem maior pra compensar o tempo na prateleira. O importante é que a margem seja real, não chute.
Se eu aumentar o preço, não vou perder cliente? Você pode perder alguns, mas ganha lucro em cada venda que fica. Muitas vezes é melhor vender um pouco menos com lucro do que vender muito no prejuízo. Teste com calma e observe o caixa, não só o movimento.
Resumo prático
Preço não é chute, é conta — e é uma conta simples quando você faz de trás pra frente. Parta do lucro que quer, desconte a taxa da maquininha e o imposto, e deixe a fórmula te dar o preço. Foi isso que salvou o Seu Ronaldo de fechar uma loja cheia de gente. Faça hoje com seus principais produtos e você provavelmente vai encontrar dinheiro que estava escorrendo sem ninguém ver.
Preço certo é a base. Com ele em ordem, o próximo passo é saber se o conjunto todo fecha no azul: o seu negócio dá lucro de verdade? E, claro, dá pra deixar essas contas no automático em vez de fazer tudo na mão — é só criar sua conta no Meu Financeiro.
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